| PREFÁCIO
Nós, os educadores, estamos sempre voltados para o futuro.
Assumimos a responsabilidade de orientar o desenvolvimento de seres
humanos que têm a sua frente um leque aberto de possibilidades,
de perspectivas, de sonhos...
Mas como ajudar a construir o futuro, como delinear as perspectivas,
como definir as possibilidades de seres tão diferentes, em
condições tão diferentes em espaços
que mudam a cada momento? Em tempos que aceleram continuamente essas
mudanças?
A solução mais segura parece ser: definir padrões
gerais para todos, delimitar objetivos bem configurados, construir
programas com conteúdos, métodos e técnicas
bem conhecidos, planejar cuidadosamente os cronogramas para o controle
dos tempos de execução das atividades a serem realizadas
em espaços preparados e bem delimitados.
Essa solução é a que temos em cada Escola dos
diferentes sistemas de ensino. Configura e justifica nossos cursos,
nossas disciplinas, nossos programas de instrução,
nossos quadros de horários, nossas grades curriculares, nossas
salas de aula, nossos laboratórios para preparar nossos estudantes
para se tornarem cidadãos no futuro.
Chamo a atenção dos leitores para a reafirmação
do pronome nossos!
Que futuro é esse? É o futuro das novas gerações?
Ou é o nosso passado?
Quais são as informações que recebemos diariamente
com tanta insistência por todos os meios de comunicação?
Os sistemas de ensino estão ineficientes. As avaliações
nacionais e internacionais nos colocam entre os países que
apresentam os piores índices de rendimento das crianças
e dos jovens estudantes de escolas públicas, mas também
de escolas privadas. E de universidades também.
Os educadores reinvindicam melhores condições de trabalho,
mais respeito e disciplina de seus alunos. Especula-se que os pais
não impõem limites, não monitoram o estudo
de seus filhos. Estes agridem a escola e agridem a seus mestres.
Os ricos alienam-se nos jogos eletrônicos e os muito pobres
refugiam-se nas ruas. Todos fogem da escola, fugindo de suas propostas
de ensino.
Mas esta não é só uma paisagem dos países
pobres. É também um panorama geral nos paises desenvolvidos,
sobretudo o pouco rendimento e a freqüência das condutas
violentas.
Que problemas enfrentam as famílias? Os que têm recursos
financeiros procuram atendimento paralelo fora da escola. Mas o
pior mesmo é serem encaminhados para buscar recursos médicos,
fisioterapêuticos, como se tais situações decorressem
de disfunções orgânicas, ou na melhor das hipóteses
psicopedagógicos...
Esta publicação, de Sueli de Abreu, mestre pela UFRJ/NCE,
Diretora da CNOTINFOR, aparece com grande oportunidade aos educadores,
como um convite e, ao mesmo, tempo como subsídio para sustentar
uma análise reflexiva sobre nossas práticas, e para
oferecer o apoio que pode ajudar a encontrar novas soluções
!
Ajudar a pensar no futuro?
Pensar o futuro? É preciso admitir que nossos estudantes
já estão nele. Não alcançaremos hoje
uma mínima certeza de previsão sobre como ele será
daqui a dez anos em termos de ensino e de aprendizagem! Lembram
há quinze, dez anos, quando fazíamos nossa formação
de educadores? Comunicar-se com alguém a distância
ouvindo sua voz, vendo sua imagem, sendo ouvido e visto ao mesmo
tempo, em qualquer lugar, não era coisa de ficção
científica? E ainda mais, grupos de pessoas realizando uma
tarefa colaborativa sobre um protótipo comum, ao mesmo tempo?
Nos era completamente impossível pensar este telefone celular
que temos hoje, de tamanho mínimo, com tela colorido, conectado
a Internet, fazendo e transmitindo fotos, tocando música!
Eram mostradas nos filmes de ficção, como apenas imaginação,
as viagens de exploração no espaço, a comunicação
em redes, cobrindo o planeta via satélites! A TV digital
que está possibilitando integrar mídias, pode apresentar
resultados impensáveis ainda, em termos de aplicações
na aprendizagem dos alunos que ultrapassem os espaços das
salas de aulas, os conteúdos dos programas, os tempos das
tabelas de horários, os esquemas das disciplinas...
Nem nós, os educadores, nem mesmo os futurólogos da
tecnologia como Isaac Asimov ou Arthur Clarke foi capaz de prever
uma rede tão ampla disseminando informações
e facilitando o acesso a essas informações e também
proporcionando a comunicação ampla e irrestrita entre
as pessoas conectadas e dispostas a construir conhecimentos. A Internet,
por enquanto, interliga milhões de computadores, bases de
dados, arquivos gigantes, empresas de todos os portes, universidades,
laboratórios, centros de pesquisa, bibliotecas, jornais,
revistas, organizações globais.
Este presente foi o nosso futuro impensável, sobre o qual
não nos foi dado sonhar, e muito menos formular perspectivas,
prever possibilidades. Não poderemos ainda prever o futuro
remoto de nossos alunos. Mas podemos já tomar consciência
e decidir qual o futuro que não queremos para eles.
Por que eles estão agressivos, hostis com os professores
e com a escola?
Por que eles não estão querendo estudar?
Por que eles apresentam dificuldades de atenção concentrada?
Por que nós ainda temos tantas certezas sobre a organização
do ensino que lhes estamos oferecendo restrito a sala de aula, com
suas disciplinas e livros didáticos?
Por que os ricos estão se alienando nos jogos eletrônicos?
Por que os muito pobres estão se refugiando da escola nas
ruas?
A contribuição que a autora Sueli de Abreu está
oferecendo aos educadores com este livro é muito valiosa
e oportuna. Sua produção é resultado de cuidadosa
e fundamentada pesquisa acadêmica, mas também é
fruto de uma laboriosa e rica experiência profissional tanto
no atendimento direto a alunos quanto na formação
de professores e de psicopedagogos.
O que podemos encontrar no livro IMAGINE...CONSTRUA E APRENDA COM
“IMAGINE” ?
Reafirmamos que vamos encontrar subsídios tanto para refletir
sobre nossas práticas quanto para reformular nossas soluções.
Os professores não podem mais depender de cursos de formação
para se apropriar e começar a usar as tecnologias que estão
abrindo novos futuros. Esse mesmo futuro vai nos ajudar a planejar
e evitar o futuro que não queremos: - não queremos
um futuro de desânimo, de dependência, de injustiças,
de fracasso, de falta de saúde, de desconfiança nos
valores, de indiferença, de ignorância, de desrespeito
a si mesmo, à natureza e ao próximo, de violência,
de perturbações, de guerras, de trevas...É
um começo para pensar em possibilidades para os sistemas
de ensino e, para contextualizar, cada educador e cada grupo de
educadores, suas próprias definições e as definições
de suas comunidades.
IMAGINE...apresenta um tutorial para garantir essa autonomia valiosa
para nós.
IMAGINE... apresenta algo que foi fundamental e garante continuidade
nas definições de possibilidades do futuro de nossos
sistemas de ensino- a Linguagem LOGO.
IMAGINE....abre possibilidades para experimentar práticas
totalmente inovadoras
IMAGINE...”não dá o peixe, ajuda a aprender
a pescar”
Queridos professores, ao buscar novas soluções para
orientar o desenvolvimento de cidadãos para a nova Sociedade
do Conhecimento, aproveitem a proposta, aprendam a ser criativos
com a tecnologia, descubram novas perspectivas, explorem novas possibilidades
e sonhem seus futuros!!! IMAGINEM !!!
Léa Fagundes
Dra. em Psicologia do Desenvolvimento
Laboratório de Estudos Cognitivos (LEC)
Instituto de Psicologia
UFRGS

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